Meus erros (1): o intervalo entre tirar o pé do acelerador e frear

Uma das coisas boas de andar em um circuito é poder treinar dando voltas na mesma pista, uma após a outra.
Mas, quando eu ainda tinha pouca experiência andando em pista, um dia percebi uma coisa.
Mesmo achando que fazia exatamente a mesma coisa em todas as voltas, às vezes eu passava pela mesma curva pensando: “Boa! Essa saiu muito bem!” E, em outras, pensava: “Ué? Essa não ficou tão boa…”
E, nessas horas, meus tempos de volta também variavam.
“Por quê? Será que estou fazendo alguma coisa ligeiramente diferente sem nem perceber?”
Eu ficava quebrando a cabeça com isso.
Mas, com o tempo, descobri que havia, sim, um motivo.

Só que não havia um motivo só. Eram vários, de todo tipo.
Cada vez que eu descobria mais um, pensava: “Ahhh, então era isso que estava acontecendo. Puxa, como eu sou burro!”
E, conforme fui prestando atenção nessas coisas enquanto pilotava, aos poucos a minha impressão de como tinha ido em cada volta começou a bater com os tempos que eu marcava.
Acho que todo mundo passa por isso, mas, quando a gente é iniciante, simplesmente não sabe dessas coisas.

Então resolvi falar de cada um desses erros nesta série.
Para começar, vou falar de um erro que eu cometia na hora de frear.
Se você já tem bastante experiência na pista, talvez isso não lhe sirva de muita coisa. Então pode dar uma risadinha às minhas custas!

O Takasu Circuit, no Japão, é a pista onde costumo andar, e lá a gente vive pisando no freio. Mas há duas curvas, em particular, nas quais é preciso reduzir muito a velocidade com uma frenagem forte.
A curva Kageyama e a última curva.
Nas duas, é preciso frear vindo a mais de 100 km/h. Então, como iniciante, eu me enchia de coragem e pensava: “Agora vai! Vou pisar no freio com toda a força!”

Na hora de frear, escolho uma referência na pista e procuro começar a frenagem mais ou menos naquele ponto.
Mas, por algum motivo, eu tinha a impressão de entrar na curva a uma velocidade diferente a cada volta.
Eu pisava no freio com toda a força e confiava totalmente no ABS, então não era como se eu estivesse aliviando a pressão no pedal sem perceber.
Eu começava a frear sempre no mesmo lugar…
Então por que isso acontecia? Por quê? Por quê?
Eu não parava de me perguntar.

No fim, a resposta era esta:
“Embora eu começasse a frear no mesmo ponto, não tirava o pé do acelerador no mesmo ponto.”
Se você tem experiência na pista, provavelmente está pensando: “Espera aí, isso acontece mesmo?”
Pois é. Comigo aconteceu.
Quando eu ainda era novato nos circuitos, pisar no freio com toda a força era um acontecimento e tanto. Dava um frio na barriga!
Então, quando eu pensava “Agora vai! Vou pisar no freio com toda a força!”, já tinha tirado o pé do acelerador um pouquinho antes, me preparando para a frenagem forte que vinha pela frente.
Ou seja, eu acabava percorrendo um pequeno trecho sem acelerar nem frear, antes de finalmente pisar no freio.

Por isso, a velocidade no momento em que eu começava a frear mudava a cada volta. E a velocidade de entrada na curva também.
Passei a me concentrar em reduzir ao mínimo o tempo entre tirar o pé do acelerador e pisar no freio.
E o problema se resolveu.
“Ahhh, então era isso. Como eu sou burro!”

Lição aprendida:

Reduza ao mínimo o intervalo entre tirar o pé do acelerador e pisar no freio.